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Tratamento para adultos com TDAH

Pesquisas mostram que tratamento multi-modal, combinando medicação com intervenções psicoterapêuticas, traz melhores resultados no tratamento de TDAH em crianças, adolescentes e adultos


Administração Medicamentosa

Os médicos usam para adultos TDAH as mesmas medicações utilizadas com crianças. Psicoestimulantes, tais como Ritalina, Adderal, Dexedrine e Concerta são os medicamentos de "primeira linha" (geralmente os mais eficazes e seguros).

Infelizmente, estimulantes apresentam um potencial elevado para o abuso. Há uma considerável discussão quanto a usar ou não medicação estimulante em adultos com histórico de abuso de drogas, um problema não tão incomum entre adultos TDAH.

Alguns médicos recusam-se a prescrever estimulantes para esses pacientes. Entretanto, o Dr. Paul Elliot, um médico de Dallas, Texas, que tem trabalhado com indivíduos TDAH adultos por mais de 25 anos, discorda: "Muito do que vemos nos dias de hoje como abuso de substância refere-se, na realidade, a pacientes TDAH não diagnosticados, que estão se auto-medicando".

Elliot monitora esses pacientes específicos rigorosamente: "Eu não inicio nenhum paciente TDAH em um tratamento com qualquer um dos medicamentos passíveis de uso abusivo até que o mesmo esteja com uma recuperação bem sucedida de no mínimo seis meses. Além disso, eu digo ao paciente que sua credibilidade sob meus olhos é muito frágil e que pode ser facilmente destruída e que não continuarei tratando alguém que não permanece limpo e sóbrio, que falhe em manter seus compromissos e que me dê razões para acreditar que, de alguma maneira, está fazendo mau uso da medicação".

Os estimulantes podem não ser apropriados por outras razões, incluindo pacientes hipertensos ou cardíacos. Para alguns desses pacientes os médicos podem preferir antidepressivos. Wellbutrin tem mostrado resultados promissores. Alguns pacientes se beneficiam de antidepressivos SSRI, como Prozac ou Zoloft, os quais geralmente não são considerados primeira escolha para tratamento.


Mudando Comportamentos

A medicação em si, no entanto, não tornará o indivíduo mais pontual, bem organizado ou de mais fácil de convívio. Todavia, poderá tornar mais fácil superar hábitos e comportamentos auto-frustrantes, sob a orientação de um psicoterapeura bem treinado.

A Psicoterapia é especialmente útil para pacientes TDAH com condições co-mórmidas, como depressão e ansiedade. Também pode ajudar adultos a lidar com a frustração e raiva que eles sentem por não tido seu TDAH diagnosticado na infância. Além disso, a Psicoterapia pode promover a melhora das habilidades sociais e da capacidade em lidar com as situações TDAH não amistosas.

A Psicoterapia orientada para o auto-conhecimento promove a busca do sentido de vida. Outros tipos de Psicoterapia (tais como Terapia Cognitiva Comportamental e Interpessoal), conduzem a uma reestruturação cognitiva, (da maneira de pensar), levando a mudança de comportamento.


“Treinamento” TDAH

TDAH é uma condição vitalícia e o tratamento é uma ajuda para o controle dos sintomas, não é uma cura. Conseqüentemente, aprender a conviver com o TDAH é uma parte importante para possibilitar o controle sobre a vida e ir em frente.

Uma maneira de assegurar o movimento adiante é contar com um "Treinador". Pensar-se em um profissional para ser o "Personal Trainer" do cérebro. Este profissional promoverá incentivo, sugestões e suporte para possibilitar o cumprimento das metas estabelecidas. Treino é, por sua natureza, orientado por metas, o que é especialmente importante para pessoas com TDAH.

Sandy Mainard, o "Treinador de Plantão" da revista ADDitude, trabalha pessoalmente com clientes no seu consultório em Washington D.C. Ela também trabalha com clientes à distância, como Israel e Noruega, usando e-mail e telefone.


Você pode fazer isto!

É fácil para um adulto com TDAH tornar-se desanimado. No entanto, muitas pessoas com TDAH conduzem vidas produtivas, fazendo as coisas que amam. O segredo é aceitar-se e encontrar maneiras para maximizar suas forças e minimizar suas fraquezas.

Michele Novotni, co-autora do excelente livro Adult ADD (Pinion Press, 1995), resume a questão quando diz "Acreditamos que a maior diferença nos resultados não está na severidade dos sintomas, e sim na atitude da pessoa frente ao TDAH".

"TDAH não é uma desculpa, uma maneira de evitar responsabilidades" ela escreve. "É um desafio que pode ser aceito e superado. Aqueles que aceitam o desafio do DDA, em vez de "rolar e se fingir de morto" são os que serão bem sucedidos".

ADDitude Magazine, 08/12/2004