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E.H.M. mãe compartilhando a dor de perder o filho para a combinação: TDAH com drogas.

Meu nome é E. H. M. e cabei de perder meu filho no último dia 01/10/2011 aos 21 anos, por overdose de drogas.
Ele era portador do TDHA.
Nossa vida sempre esteve rodeada pelo transtorno do Felipe. Ele só foi diagnosticado aos 16 anos em 2006.
Para eu e meu marido foi um alivio entender o porque ele era diferente (não parava quieto na sala de aula e não aprendia quase nada), porem contrariava o que os professores falavam (preguiçoso, burro, vagabundo, etc...).

Para o Felipe foi como um balde de água fria pois, parece que ele preferia achar que era “normal”. Quando foi dito transtorno para ele, parece que foi um ponto final. Sua alto estima que sempre foi baixa, ficou pior, tínhamos que implorar para que freqüentasse a psicóloga, o remédio (Ritalina) tomou muito pouco e como já estava com 17 anos era mais difícil de obrigá-lo.

Dai para a frente foi ladeira abaixo, não enxergava futuro para ele, não tínhamos condições financeiras para tratá-lo da maneira correta. Aos 18 anos começou a ter dificuldades com álcool e logo em seguida com a maconha. Pouco tempo depois descobrimos cocaína.

Desde de muito pequeno o Felipe sempre foi muito agitado durante a noite, costumava comentar com as pessoas que ele não me deixava dormir, pois falava e se mexia a noite toda quase todos os dias da semana.

Isso mudou um pouco quando ele cresceu pois ai ele não dormia, passava a madrugada inteira e a manhã seguinte acordado, andando pela casa pelo menos até as 14:00h. quando dormia, o que o impossibilitava de trabalhar e estudar.
Na verdade ele sofria muito com isso, pois tinha vontade mas não se achava capaz de conseguir um emprego ou cursar nada.

Via o sofrimento em seus olhos, nos últimos tempos falou algumas vezes em morrer. Meu filho não estava entregue as drogas, olhando para ele não tinha aparência de dependente, estava com aparência saudável, estava sempre em casa e de vez em quando aconteciam episódios de uso das drogas.

Passava longos períodos sem usá-las até que no dia 01/10/2011 meu filho saiu de casa dizendo se sentir feliz mas fez uso de maconha e duas pedras de crack.
Foi o que relatou para o bombeiro que o socorreu,depois de pedir ajuda a uma senhora na rua. Ele veio à óbito naquela madrugada mas nos só o encontramos no dia 02/10 quase vinte e quatro horas depois, como indigente no necrotério do Hospital Mandaqui, pois estava sem documentos, ele só havia saído para ir a casa da minha mãe, sua avó.

Uma das maiores dificuldades foi a relação entre ele e meu marido, pois durante o processo de diagnostico do Felipe, meu marido também foi diagnosticado como portador de TDAH. Durante o crescimento do meu filho, meu marido não admitia a existência de algum problema e na verdade ele tratou o filho como foi tratado a vida toda, com agressões e muitas mágoas.

Agora o que há:

A saudade do meu filho e muita culpa por parte de todos.

Quando acessei o site e vi seu contato senti a necessidades de contar a minha história, pois acredito que existam muitas pessoas na nossa situação e gostaria de dar meu depoimento para alertar outros pais para que eles tenham a oportunidade de não cometer o mesmo erro que nós cometemos.