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cleide heloisa partel

A.F.L. 29 anos, economista, professor universitário, doutor em administração de empresa, relata o seu "renascer"

"- Quando criança sempre fui muito agitado, curioso, inquieto, "respondão". Era impulsivo, sem medir as conseqüências dos meus atos. Mesmo sem paciência para prestar atenção na aula inteira, nem para estudar para as provas, ía muito bem. O problema era o comportamento: "... ele é muito inteligente, faz os exercícios rápido, mas não pára quieto, conversa muito e atrapalha os outros alunos..." E vinham os rótulos, de mal-educado, preguiçoso, vagabundo, etc.

Transformei-me num adulto altamente "estressável". Bastava o semáforo se fechar quando eu me aproximava para meu dia se estragar. Numa "conversa" logo interrompia a pessoa com uma frase ou uma resposta a uma pergunta ainda não terminada! Minha impulsividade me fazia dizer coisas das quais, instantes depois, me arrependia; às vezes, mesmo sabendo que deveria calar, vinha aquele impulso e.... falava! Essas características e a culpa de não conseguir fazer todas as coisas com que me comprometia (várias, pois queria fazer mil coisas ao mesmo tempo) da melhor forma que meu potencial me permitia, criaram em mim uma sensação de incompetência, de incapacidade, de anormalidade. A total falta de auto-estima fez que eu passasse a me relacionar com o mundo através de uma máscara de um "falso eu": do bom filho, amigo leal, profissional competente, namorado compreensivo e amoroso...

Eu me sentia uma verdadeira fraude, uma farsa! Jamais poderia baixar a guarda por mais que as coisas estivessem bem, a sensação era de que algo ruim estava por acontecer. Mesmo tendo um QI de 160 me sentia um retardado! A eterna angústia e o mal-humor crônico acabaram por me deprimir.

Quando finalmente encontrei o site www.universotdah.com.br pensei que estivesse falando de mim: "- Você está me descrevendo, este sou eu!"... Após alguma hesitação busquei ajuda e veio o diagnóstico: sou DDA.

A "descoberta" do DDA foi como renascer... sim, esta é minha sensação: eu renasci depois da descoberta do DDA.

Com a medicação passei a me concentrar no que faço, a fazer uma coisa de cada vez. Com a terapia estou aprendendo a me relacionar com as pessoas sem usar aquela máscara, sendo eu mesmo, sem ter medo de que as pessoas me conheçam, a pensar mais antes de agir, a controlar minha compulsão.. .Hoje consigo aceitar a idéia de não ser "o perfeito" o tempo todo, não tenho essa obrigação, aliás, aprendi que isso é impossível! Aprendi que não preciso acertar 100% das vezes, que, sendo humano, sou passível de cometer erros. Hoje foco mais minhas qualidades que, modéstia à parte, são muitas!

Estava noivo e apesar de não estar preparado para me casar, marquei a data e ía fazê-lo como tudo em minha vida naquela época: por obrigação social, moral ou religiosa, enfim para agradar aos outros. Com o tratamento aprendi a me valorizar, a me aceitar e cancelei o casamento dois meses antes, com tudo preparado - cerimônia, festa, música, padrinhos, convites, etc. Não poderia fazer aquilo que meu coração não queria! Me senti vitorioso, consegui agir por mim, para mim, defendendo-me mesmo que todas as "regras sociais" dissessem o contrário.

Somente então foi que percebi a importância em ter amigos, em ser mais solto, mais alegre, mais natural, mais eu mesmo!

Após pouco mais de um ano desse "renascimento", voltei com minha ex-noiva e nos casamos agora em outras bases, agora porque eu também queria! Casei-me agora sem dúvidas, sem medos.

Eu me sinto uma pessoa melhor, mais calmo, hoje posso dizer que sou feliz!"