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C.G.R, pai de C.A.G.R. 22.anos, estudante de Admin. Empresas - Herança genética!

C.G.R. 51 anos, administrador de empresas, pai de C.A.G.R. 22.anos, estudante de administração.

Quando comecei meu processo de pesquisa e diagnóstico do TDAH, vi que na maioria dos casos havia indícios fortes de hereditariedade e percebi isto poderia ocorrer com meu filho. A principio me preocupou e no momento da descoberta da doença, meu sentimento foi de aflição e pena...! Mas depois fiquei aliviado, porque eu tinha certeza que poderia ajudá-lo.

Ajuda que não obtive de meus pais, médicos e de ninguém quando tinha esta idade. Eu achava que mundo girava em torno de mim, mas era infeliz e inconstante. Ao mesmo tempo me julgava capaz e bom, era perdido e sem rumo na vida.

Quando o C. A. foi também foi diagnosticado com DDA, passou um filme na minha cabeça de tudo que havia ocorrido ao longo de minha vida. Preocupei-me porque não desejava este mal pra ele, as frustrações, inseguranças, inconstância, timidez e baixa estima. Em algumas vezes o C. reclamava que tinha dificuldades de concentração na escola, não conseguia ler um livro, os pensamentos eram confusos, situações de embaraço, dificuldades com alguns relacionamentos. Assim passei a entender porque todos unanimemente nos achavam iguais, esculpidos e moldados. Da mesma forma que ocorreu comigo, fiquei ainda mais surpreendido quando descobri que ele por um tempo consumiu drogas com a finalidade de aliviar tensões e ansiedades. Mas graças a Deus e ao destino fez com que o levassem pra bem longe daquelas companhias que facilitavam o acesso a droga.

O meu filho sempre foi uma criança interessante e simpática, todos gostavam dele. Quando garoto era ativo, curioso e abelhudo, sempre teve muitos amigos todos o queriam próximo. Mas alguma coisa nele me chamava atenção. Eu percebia que ele “não dava sorte” em alguns episódios e continuamente se envolvia em situações em que ele se complicava, entrava de gaiato nas histórias, porque era o mais travesso, brincalhão, alegre, chamava atenção e gritava muito. E nestas horas se enrolava e a corda sempre arrebentava pro lado dele. Em algumas situações eu procurava entende-lo, sendo parceiro e cúmplice. Porque eu percebia e entendia que ele tinha provocado o episódio sem má intenção, era uma busca de aproximação daqueles em sua volta para provar que ele era bom, companheiro e de confiança. E isto ocorria na escola, nos condomínios onde moramos, na rua, ou seja, fosse a onde fosse.

Hoje não moro mais com ele, me separei e ele mora com mãe. Passamos a ter menos contato, não temos um convívio diário, nos comunicamos mais por telefonemas e por troca de mensagens via Internet.

No geral percebo um comportamento diferente, ele parece mais desembaraçado, seguro, procura fazer valer mais suas opiniões, o desempenho na faculdade melhorou e parece que restabeleceu a sua auto-estima. O tratamento sem duvida foi um divisor de águas, tanto pra ele quanto pra mim.

E hoje apesar desta situação de separação e da distancia que me afasta dele, dificultando um pouco o nosso relacionamento, procuro ensinar e passar para o C. as minhas maiores descobertas e mudanças depois do meu tratamento. Talvez isto não faça tanta diferença porque apresentamos idades muito diferentes. Mas ele, mais do que eu tem todo o tempo do mundo para recomeçar um processo de renovação de sua vida. Isto dependerá somente dele. E do meu apoio, sempre!