tdah logo

cleide heloisa partel

perguntas freqüentes sobre tdah (dda)

O TDAH (DDA) pode ser conseqüência da “era da informática”?

A tendência a fazer várias coisas ao mesmo tempo (atender ao celular no meio de uma conversa ou reunião ou mesmo dirigindo), a abrir e responder os e-mails em seguida, mesmo sem tempo para isso, perder-se na Internet quando se foi em busca de 1 só informação, etc... pode levar a pessoa ao stress (com irritabilidade, distração e ansiedade) e a diminuição de sua produtividade profissional.

Esse tipo de stress, Edward Hallowell chama de “Déficit de Atenção induzido”.

Nesse caso, uns dias de férias, a reorganização de prioridades, a disciplina para fazer uma tarefa de cada vez e o limite de tempo na Internet podem resolver o problema. A psicoterapia pode ajudar nessa reestruturação e não há necessidade de medicação.

Já no caso do TDAH (DDA) congênito, a pessoa já nasce com as características, independente de seu ambiente de estudo ou trabalho e o tratamento é fundamental para que a pessoa possa realizar-se na vida profissional, social, familiar e ou afetiva.

Que tipo de profissional deve ser procurado para diagnóstico e tratamento: um psiquiatra, um neurologista, um psicólogo, um fonoaudiólogo, e/ou...?

O fundamental é encontrar um profissional que conheça profundamente o transtorno.

Infelizmente ele ainda é muito desconhecido por muitos profissionais da área da saúde, e pior, agora que o TDAH (DDA) começa a ser mais divulgado, começam a pipocar vários "especialistas" no assunto, e muitos diagnósticos errôneos.

Frases equivocadas são comuns nesse tipo de profissional:

-"Se você tivesse TDAH nunca teria conseguido terminar uma faculdade!", ou então:

-" Você tem é Depressão", ou

-"Você é Bipolar"...

Infelizmente nesses casos, o portador de TDAH fica sem tratar a causa de seus problemas, uma vez que só as conseqüências são percebidas por falta de conhecimento do TDAH pelo profissional.

O site Hiperatividade.com perguntou: "Qual o profissional que você procura quando suspeita que alguém tem TDAH (DDA)?". As respostas foram as seguintes:

Especialidade
%
Neurologista
31,41
Psicólogo
33,33
Psiquiatra
18,28
Pediatra
4,30
Fonoaudiólogo
3,23
Professor
3,23
Seu médico
3,23

É possível diagnosticar TDAH (DDA) através do exame eletroencefalograma (EEG)?

O diagnóstico do TDAH (DDA) é clínico.

O EEG (ou outros exames) só se justificam para eliminar a possibilidade de outra patologia associada, isto é, não tem nenhuma participação no diagnóstico de TDAH.

É fundamental que o profissional conheça profundamente o assunto para saber fazer corretamente essa avaliação clínica e o diagnóstico correto.

TDAH ou DDA? Qual a diferença, qual é o correto?

Costuma-se ver em muitos textos, livros, o Transtorno TDAH ser chamado de DDA (Distúrbio de Déficit de Atenção). Isso porque é mais fácil de se falar e porque nem todos têm o H do hiperativo físico, embora a hiperatividade mental esteja sempre presente.

Oficialmente no entanto, o nome correto é TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade) uma vez que Distúrbio tem a característica de ser passageiro (ex: distúrbio estomacal) e Transtorno não, ele é crônico como no caso do TDAH.

É importante lembrar que Défit de Atenção não significa que a pessoa nunca tenha atenção.

Quando motivados ou desafiados os portadores de TDAH têm o poder de hiperconcentração.

Posso fazer várias atividades ao mesmo tempo?

("Emoção&Inteligência" edição especial da revista Superinteressante perguntou à Cleide Heloisa Partel em Setembro/2006)

Exames comparativos feitos com imagens de ressonância magnética comprovam que nosso cérebro só consegue processar uma tarefa de cada vez, enquanto as outras "aguardam na fila" para serem executadas.

Isso explica a quantidade de erros cometidos por quem costuma fazer muitas coisas simultaneamente. Em geral, esse tipo de comportamento acontece com quem tem Transtorno de Déficit da Atenção e Hiperatividade (TDAH)

A pessoa pensa em vários assuntos ao mesmo tempo e faz uma coisa já pensando em outras, o que caracteriza sua desatenção.

Costuma ser impulsiva, por isso interrompe o que está fazendo para iniciar outra atividade, acumulando intermináveis tarefas começadas.

Ela sente dificuldade de se concentrar na tarefa do momento por estar pensando nas futuras e/ou passadas (os "tenho que...") e comete erros por distração com facilidade em função da sua falta de foco em uma coisa de cada vez.

O TDAH (DDA) é mais freqüente no sexo masculino?

Não. Essa crença vem da época em que apenas crianças hiperativas eram diagnosticadas e em geral os meninos são mais do Tipo Hiperativo.

Como as meninas costumam ser do Tipo Desatento (a hiperatividade é só mental), enquanto ela "viaja para bem longe, para o mundo da lua" olhando com o olhar doce para a professora, não perturba a aula e não chama a atenção. Em casa também não costuma perturbar e geralmente os pais só buscam ajuda quando ela tem sérias dificuldades escolares. Caso contrário ninguém desconfia que possa ter algo diferente, mas com certeza terá maiores dificuldades na adolescência e/ou vida adulta.

Muitas vezes elas eram diagnosticadas erroneamente com depressão, deficiência intelectual leve...

Infelizmente ainda nos dias de hoje são diagnosticados 3 à 4 meninos para cada menina.

Já nos diagnósticos feitos em adultos a relação é de 1 homem para 1 mulher.

O TDAH (DDA) pode ser confundido com Bipolar?

Essa é uma questão muito delicada e infelizmente muitos profissionais que ainda desconhecem o TDAH (DDA) acabam diagnosticando erroneamente o portador de TDAH (DDA) como Bipolar ou vice-versa. Existem muitas semelhanças, nos dois casos há alterações de humor: o indivíduo alterna excitação (onde pode ocorrer agitação, hiperatividade, agressividade, impulsividade ou compulsão, a busca de novidades, a falta de noção do perigo) com a depressão.

No entanto, a pessoa com TDAH (DDA) nasce com sintomas que já a prejudicam desde pequena. Mesmo no caso dela não ser hiperativa fisicamente, o prejuízo se dará na dificuldade de prestar atenção nas aulas, nas tarefas escolares, na desorganização, na impulsividade e/ou no relacionamento social, com comprometimento da sua auto-estima.

Já no caso do Transtorno Bipolar esses sintomas costumam aparecer mais tarde.

No estágio da mania, o Bipolar sente-se poderoso, seguro, com uma euforia e grandiosidade imensas já o TDAH (DDA) mesmo quando está na compulsão, continua com sua auto estima comprometida sentido-se sempre culpado quando não consegue controlar seus impulsos.

Outro diferencial acontece na durabilidade das fases. No Bipolar, mesmo no caso mais leve, como o hipomaníaco cada fase dura no mínimo 3 dias, sendo que o mais comum a duração de semana(s). O TDAH (DDA) oscila mais rapidamente podendo alternar essas fases num mesmo dia.

No entanto o TDAH (DDA) pode ter um agravamento de seus sintomas quando não é devidamente diagnosticado e tratado, podendo vir a ter como Comorbidade o Transtorno Bipolar. Quando isso acontece, suas compulsões começam a trazer-lhe conseqüências sérias para sua vida (dívidas imensas ou alcoolismo ou drogadição ou sexo compulsivo sem segurança, etc)gerando o aumento da depressão. Nesse caso é fundamental o diagnóstico correto para que junto com o estimulante do córtex frontal a pessoa tome também um estabilizador de humor.

Qual o perigo real do uso do estimulante Metilfenidato, a (Ritalina, Ritalina L.A. ou Concerta)?

Não há perigo quando devidamente supervisionado, pelo contrário.

Estudos comparativos mostram que os grupos de crianças tratadas com esse tipo de medicação tiveram menor incidência de uso de drogas na adolescência, do que nos grupos não tratados.

Há muita divulgação equivocada a respeito do Metilfenidato sem nenhuma base científica.

Fala-se muito em diagnósticos excessivos, "- Mais de 1 milhão de caixas foram consumidas em 2005. Virou moda no Brasil ”. etc.

Na verdade, dados do IBGE informam que existem 55 milhões de brasileiros com idades de 1 a 14 anos, significa que só são tratados 20.000, para um total de portadores de, no mínimo, 1 milhão e meio.

Na verdade a grande maioria da população com TDAH (ao contrário do que prega a mídia) continua sem tratamento.

O Metilfenidato (Ritalina, Ritalina L.A. ou Concerta) pode causar dependência?

Não. O que acontece é que oestimulante não cura o TDAH (DDA), ele é crônico.

O Metilfenidato funciona como óculos para o míope, só funciona durante seu uso.

Quando a medicação é interrompida, os sintomas do TDAH (DDA) voltam a aparecer e a pessoa pode não gostar de "funcionar" como antes, o que não significa dependência química.

Pode-se usar mais de um medicamento durante o tratamento?

Sim. E isso é decidido de acordo com o diagnóstico.

No caso de haver Comorbidades, além do estimulante do córtex pré-frontal, pode-se usar medicamentos específicos a esses outros distúrbios: depressão, ansiedade, insônia...

É possível o tratamento sem medicação?

Sim.

Caso o grau de desatenção e hiperatividade/impulsividade não for muito grande e não causar prejuízos em demasia na sua vida profissional e/ou pessoal, a pessoa pode conseguir através do conhecimento do transtorno e da terapia cognitivo-comportamental estruturar-se, adquirir disciplina e domínio sobre seus impulsos.

O TDAH (DDA) existe ou é um distúrbio fantasma, criado por americanos para que pais e professores justifiquem suas dificuldades em educar, e para que profissionais justifiquem seus erros e suas dificuldades em se relacionar?

Veja a Declaração de Consenso (ver em artigos sobre TDAH) assinada por 80 experientes profissionais sustentando que o TDAH é um transtorno real. Os estudos com gêmeos e com crianças adotadas mostram que o papel predominante é do fator hereditário, cabendo ao ambiente uma participação menos expressiva na gênese do problema.