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cleide heloisa partel

De novo! Nunca aprendo?

No trabalho começo a exprimir minhas idéias e vou me animando cada vez mais.

Acabo exagerando e meus colegas se sentem intimidados. Eu não acho que estou intimidando nem sendo ameaçador, eu simplesmente me empolgo demais com as discussões. Por quê será que eu sempre acho que as pessoas não entendem minhas emoções? Eu é que sou muito engajado ou eles é que são muito cool?

Em festas, outra vez falei coisas que não deveria. Às vezes eu me entusiasmo demais e faço comentários ou conto piadas que as pessoas engolem em seco ao invés de rir.

Outras vezes eu começo assuntos pessoais sem nenhuma necessidade. Chego até deixar minha mulher constrangida.

Minhas histórias adquirem vida própria e se alongam como se estivessem fora de meu controle. Acabo nem ouvindo o que os outros estão falando, se é que eu deixo os outros falarem, pois não páro de interrompê-los. Parece que eu não me encaixo em lugar nenhum. Fico nervoso antes de ir para alguma festa, chego lá, falo demais e no caminho de volta para casa fico lamentando minhas gafes.

O pior é que não consigo explicar porque sou diferente. Todo mundo parece tão tranqüilo! Será que eu nunca na vida aprendi a manter uma conversa simples e sem grandes compromissos?

Ou então, as pessoas estão falando comigo, eu estou olhando para elas, estou ouvindo as palavras mas meus pensamentos estão em outra galáxia. Perco o fio da meada e dois segundos depois nem sei mais o que estavam me falando.

Pior ainda, sei os nomes das pessoas mas não consigo lembrar. Sei que eles estão guardados em algum lugar de meu cérebro, só que não consigo acessá-las.

Falo "muito prazer" para quem eu já conhecia antes. Alguém no Shopping me cumprimenta, não tenho a menor lembrança de já conhecer essa pessoa de uma reunião ou festa ou praia. É como se a mudança de contexto fizesse meu cérebro deletar essa pessoa de minhas lembranças.

Parece que vivo numa montanha russa emocional. Ou estou deprimido, ou ansioso, ou estou falando demais. Não consigo ficar parado. Quando tenho tempo, ao invés de ralaxar, procuro o que fazer. À vezes não consigo pensar de cabeça fria. Me exalto por bobagens. Falo coisas que depois me arrependo.

Em casa eu crio um caos. Minha família sofre porque não consigo manter a tranqüilidade. Eles reclamam que esqueço tudo o que me falam ou que me pedem.

Meu filho está ficando igual a mim, sempre estabanado. Volta e meia ele se machuca. Minha filha, então, cada vez se parece mais com minha irmã, sempre distraída.

Se esse texto ou parte dele tem a ver com você, significa que tem grandes chances de ter DDA (Distúrbio de Déficit de Atenção).