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Cleide Partel Entrevista Rede Globo

Leia o resumo do chat com Cleide Partel abaixo:

Moderador fala para a platéia: Como ajudar crianças com transtorno de déficit de atenção? A psicóloga Cleide Heloisa Partel ajuda a entender um pouco mais sobre o assunto logo após o Jornal Hoje. Enviem suas perguntas mencionando o nome e cidade. Boa tarde Cleide!

Cleide Heloisa Partel fala para a platéia: Boa tarde!

Moderador apresenta a mensagem enviada por Rosane (SP): Qual o tratamento ideal para crianças com o Transtorno de Déficit de Atenção?

Cleide Heloisa Partel responde para Rosane (SP): O tratamento adequado é feito através de terapia cognitivo-comportamental e da medicação sempre que for necessário, quando o grau de desatenção trás problemas no aprendizado para essa criança. Eu costumo alternar o tratamento com os pais no caso de crianças. com TDAH. É fundamental que os pais aprendam a como lidar com seus filhos.

Moderador apresenta a mensagem enviada por Leonardo: Qual o especialista mais indicado para diagnosticar esse transtorno?

Cleide Heloisa Partel responde para Leonardo: Infelizmente o TDAH ainda é pouco conhecido, então as pessoa devem procurar um especialista que conheça profundamente o assunto. Já recebi em meu consultório pessoas vindas de psiquiatras ou neurologistas com diagnósticos completamente equivocados.

Moderador apresenta a mensagem enviada por Matheus Tijuca: Olá, sou do Rio de Janeiro. Eu fui diagnosticado DDA neste ano depois de ter passado por dois neurologistas. Tomo o remédio que muitos tomam, a Ritalina, mas no meu caso é o LA... até quando tomar esse remédio é algo confiável? Existe outro tratamento?

Cleide Heloisa Partel responde para Matheus Tijuca: No Brasil só existe esse. Há a Ritalina 10mg, usado para crianças há mais de 50 anos, Ritalina LA e o Concerta mas todos são metilfenidato, que estimula o córtex pré-frontal. Esse é um distúrbio crônico. Você nasce e morre com ele. A medicação faz efeito durante o uso é como o efeito de um óculos para o míupe.

Moderador apresenta a mensagem enviada por Fatima: Esse transtorno é genético?

Cleide Heloisa Partel responde para Fatima: É sim, na grande maioria das vezes. Muitos adultos me procuram já sabendo que tem o Transtorno, mas muitos pais só descobrem que têm o Transtorno durante a avaliação de seu filho(a), percebendo em si caracteristicas similares.

Moderador apresenta a mensagem enviada por Marcia: Meu filho tem 21 anos e não aceita o tratamento com medicamento, alega ficar lento, que faço?

Cleide Heloisa Partel responde para Marcia: Para a maioria das pessoas o efeito é muito bom, para outras nem tanto. O efeito colateral pode às vezes dar mais agitação, irritabilidade, mas anestesiamento, não. Talvez seja conseqüência de outra medicação que ele esteja tomando em conjunto.

Moderador apresenta a mensagem enviada por Roger: É verdade que o sexo masculino sofre mais com esse distúrbio que o sexo feminino?

Cleide Heloisa Partel responde para Roger: Não. Na idade infantil os meninos são diagnosticados numa proporção de 3 à 4 para cada menina. Existem 3 tipos desse transtorno: Tipo Hiperativo/ Impulsivo, Tipo Desatento e Tipo Combinado. Os meninos costumam ser mais do Tipo Hiperativo/Impulsivo e as meninas do Tipo Desatento onde a hiperatividade é só mental: enquanto a cabeça da menina "viaja", ela não presta atenção às aulas mas também não atrapalha aos professores que acabam não notando nada de diferente, ao contrário dos meninos que podem conturbar toda uma sala de aula.daí serem mais diagnosticados. Mas na fase adulta a proporção é igual, de 1 para 1.

Moderador apresenta a mensagem enviada por Vaguinho: Doutora, tem diferença entre o TDAH e o DDA?

Cleide Heloisa Partel responde para Vaguinho: É só questão de nomenclatura, mas o TDAH é o mais correto uma vez que o Transtorno é crônico e não passageiro como no caso de um Distúrbio: DDA.

Moderador apresenta a mensagem enviada por Dani: Minha filha tem dificuldade de concentração, e foi diagnosticado como um caso de dislexia. Como saber se não é um caso de Transtorno do Déficit de Atenção? Existe diferença?

Cleide Heloisa Partel responde para Dani: Durante décadas foram tratados como Transtornos absolutamente diferentes. Hoje sabe-se que esses limites são muito mais tênues, já que muitas vezes eles se entrelaçam. Muitas pessoas têm dislexia como Comorbidade (conseqüência) do TDAH. Recebo muitos disléxicos em tratamento há anos sem grandes melhoras e, quando o tratamento do TDAH é asssociado a pessoa tem um grande avanço.

Moderador apresenta a mensagem enviada por Marcus de Souza: Como faço para saber se as crianças tem esse Déficit de Atenção?

Cleide Heloisa Partel responde para Marcus de Souza: O TDAH é baseado num tripé: hiperatividade, impulsividade e desatenção. Geralmente as dificuldades aparecem na fase de aprendizagem escolar. Caso o indivíduo não tenha dificuldades na aprendizagem, quando adolescente ou adulto pode apresentar problemas nas áreas sociais, afetivas e/ou profissionais.

Moderador apresenta a mensagem enviada por Dudu (RJ): É possível adquirir esse distúrbio depois infância, ou somente quando criança?

Cleide Heloisa Partel responde para Dudu (RJ): Não, a pessoa já nasce assim. É necessário que as dificuldades estejam presentes há mais de 8 meses e que tenham surgido antes dos 7 anos de idade. O que acontece é que muitos adultos se esquecem como eram na infância, por isso não sabem dizer como agiam, se eram hiperativos ou não, desatentos ou não, por exemplo. Se a pessoa for do Tipo Desatento, fica mais difícil essa percepção.

Cleide Heloisa Partel fala para a platéia: Muitos são inteligentes e por isso superam algumas dificuldades do Transtorno, o que dificulta o seu diagnóstico.

Moderador apresenta a mensagem enviada por Gustavo Coutinho: Eu percebi que tenho todos os sintomas do DDA, mas não entendi o que devo fazer para tentar controlar.

Cleide Heloisa Partel responde para Gustavo Coutinho: Você deve conhecer bem o assunto o que vai ajudá-lo a procurar por um bom especialista. Leia muito sobre o assunto para conhece-lo.

Moderador apresenta a mensagem enviada por Dani: Gostaria de saber se temos algum site brasileiro especializado no assunto. Poderia nos indicar?

Cleide Heloisa Partel responde para Dani: Eu tenho um site, o www.universotdah.com.br Ele explica tudo resumidamente, desde as causas às conseqüências, artigos, depoimentos, testes, vídeos, perguntas frequentes, etc. Há também um site muito importante: www.tdah.org.br que é da ABDA - Associação Brasileira do Déficit de Atenção, cujo presidente é o Dr. Paulo Mattos uma das maiores assumidades no assunto no país que estará presente na abertura da ADASP a colaboradora da ABDA em São Paulo no começo de Dezembro.

Moderador apresenta a mensagem enviada por Isabel Lima (Teresina - PI): Na fase adolescente pessoas com o Distúrbio de TDAH são mais propensas a usar drogas?

Cleide Heloisa Partel responde para Isabel Lima: Sim. Pela impulsividade do TDAH. Foi feita uma pesquisa com dois grupos de crianças com TDAH, os que faziam tratamento e os que não. No grupo dos que não se tratavam, os índices de uso de drogadição foi bem mais alto.

Moderador apresenta a mensagem enviada por Creuzo: O psicopedagogo pode atender as crianças com este tipo de Distúrbio?

Cleide Heloisa Partel responde para Creuzo: Depende. Pela minha experiência, gosto muito de atender apenas algumas vezes a criança, encaminha-la para que o médico a medique e trabalho mais na orientação dos pais em como lidar com seu filho(a). E revejo a criança só algumas vezes para reavaliação. Pais sem tratamento podem desencadear a maior Comorbidade entre os adolescentes, o TOD, Transtorno Opositivo Desafiador, resultado muitas vezes de pais que tentam colocar limites sem orientação, perdendo o controle, gritando, xingando, punindo de uma forma destrutiva.

Moderador apresenta a mensagem enviada por VANDA: Sou de SP, hospitais públicos dão tratamento para esse distúrbio???

Cleide Heloisa Partel responde para VANDA: O Hospital das Clínicas dá, mas é aquele problema de todo hospital público: filas e demora.

Moderador apresenta a mensagem enviada por Gabriel Ribeiro: Olá doutora, tenho vários sintomas do Déficit de Atenção, muitas vezes fico com raiva de tudo à toa e as vezes fico triste do nada. Isso também é um sintoma?

Cleide Heloisa Partel responde para Gabriel Ribeiro: Sim. A pessoa tem uma instabilidade de humor muito grande. Tem uma necessidade de estar sempre motivada, fazendo coisas novas. Geralmente tem pavio curto, irritabilidade e ansiedade...

Moderador apresenta a mensagem enviada por Rafael: Na escola, a criança deve ter algum tratamento especial caso ela tenha o transtorno? Deve procurar uma escola especial ou pode continuar numa escola comum?

Cleide Heloisa Partel responde para Rafael: Pode e deve. Pode seguir o seu ensino normalmente, mas os professores e pais devem conhecer esse distúrbio para saber como trabalhar com esse aluno. A falta de informação das escolas com relação ao TDAH é lamentável! Cleide Heloisa Partel fala para a platéia: Podem acessar o site www.universotdah.com.br e o da ABDA www.tdah.org.br para tirar as dúvidas.

Moderador apresenta a mensagem enviada por Marli (RJ): O que fazer em casa para ajudar no tratamento?

Cleide Heloisa Partel responde para Marli (RJ): Primeiro conhecer profundamente o assunto, estudar. Saber que a criança precisa ter regras, mas jamais ser rotulada de burra, preguiçosa. Tem que ter o tempo pra jogar videogame, para estudar, para fazer as tarefas de casa etc.

Cleide Heloisa Partel fala para a platéia: Podem criar tabelas de tarefas e de recompensas, que podem vir no final de semana.

Moderador apresenta a mensagem enviada por Cao: O TDA manifesta-se em criança a partir de que idade?

Cleide Heloisa Partel responde para Cao: A pessoa já nasce assim, porque é genético. É um transtorno neurológico funcional. Muitas vezes não é percebido na infância, só quando aparecem as dificuldades, na fase escolar ou adulta.

Moderador apresenta a mensagem enviada por Ezack: Sou professor de Ed. Física e gostaria de saber qual é a melhor maneira de lidar com crianças que tem essa necessidade.

Cleide Heloisa Partel responde para Ezack: A atividade física é recomendada, mas não é um tratamento. Toda criança sente um bem-estar físico quando faz esporte. Mas no trabalho, em casa ou no relacionamento, não quer dizer que ela vá se sair bem. Os limites devem ficar claro, mas o adulto deve se controlar para não perder a cabeça com essa criança que muitas vezes é muito difícil de se lidar.

Moderador apresenta a mensagem enviada por Educadora: Me indique bibliografias sobre o assunto, obrigada.

Cleide Heloisa Partel responde para Educadora: No meu site www.universotdah.com.br ou no site da ABDA há muitas indicações.

Moderador apresenta a mensagem enviada por Rafaela: A minha filha já faz tratamentos com homeopatias e com a fonoaudióloga, o que mais pode deve ser feito?

Cleide Heloisa Partel responde para Rafaela: Eu não consegui nada com homeopatia. Pode trazer alguns alívios, a criança ficar menos agitada, mas não existe nada que substitua a medicação usada atualmente, o metilfenidato.

Moderador apresenta a mensagem enviada por Daniel (SP): As pessoas não utilizam o TDHA como "desculpa" para outras limitações? Ele não pode "mascarar" outras doenças ou distúrbios?

Cleide Heloisa Partel responde para Daniel: É necessário que seja feito um exame clínico com um especialista no assunto para um diagnóstico correto. O médico que pedir eletro encefalograma está falando besteira. Eu ensino meus pacientes jamais utilizarem o sintoma como desculpa. A pessoa não pode falar o que bem entende, comprar ou comer tudo o que quer: esse não é o caminho para integração social.

Moderador apresenta a mensagem enviada por Fernanda (S): Qual a relação entre TDAH e o Transtorno Obsessivo Compulsivo? Há tratamento para a Comorbidade?

Cleide Heloisa Partel responde para Fernanda (S): Existe o tratamento, sim. Se é uma conseqüência, o tratamento inicial é estar tratando o TDAH, paralelamente ao TOC.

Moderador apresenta a mensagem enviada por Pedro Jr (RJ): O TDAH tem alguma coisa à ver com Transtorno Bipolar?

Cleide Heloisa Partel responde para Pedro Jr (RJ): É a mesma coisa que falei com relação ao TOC. Pode ser uma conseqüência, só que infelizmente muitos profissionais diagnosticam o TDAH como bipolar porque não conhecem o assunto, então começam a medicar de uma forma totalmente errada. É muito importante diferenciar, porque há muita similaridade entre um e outro. A diferença está na intensidade, duração das fases e na auto-estima geralmente comprometida no TDAH. Na mania o Bipolar sente-se onipotente, poderoso.

Moderador apresenta a mensagem enviada pela platéia: Estão pedindo para Sra. repetir o nome do seu site...

Cleide Heloisa Partel fala para a platéia: O site é www.universotdah.com.br é resumido, mas fala de tudo. Quando mais você se informa, melhor. Quero agradecer a oportunidade de divulgar um transtorno que ainda é pouco conhecido. Gostaria muito que o Aguinaldo Silva falasse sobre isso em sua novela “Duas Caras” que está no ar e desse uma guinada naquela personagem que é disléxica e não consegue saída. Quem sabe ela também não tem TDAH? Seria muito interessante para divulgar o Transtorno. Obrigada e boa tarde!

Moderador fala para a platéia: Obrigado a todos pela participação. Tenham uma boa tarde.

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