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cleide heloisa partel

K.D. 29 anos, advogada, analista jurídica e estudante pré-vestibular relata sua "superação"

"Quando criança era muito hiperativa, inquieta e de personalidade forte. Tinha constantes brigas com meu irmão, inclusive quebrei meu braço e causei diversos acidentes a ele (como quebrar taça de licor em seu nariz), porém tinha facilidade escolar, mesmo sem paciência em prestar atenção às aulas e estudar às provas. Era expansiva e líder muito mandona. Até a 8ª. Série estava entre os 5 melhores alunos da classe e, por isso, apesar de fazer tudo muito rápido, falar demais, atrapalhar meus colegas de sala, causando tumultuo e polêmica, os professores davam “desconto” por me sair bem nas notas.

Com isso tornei-me impaciente na adolescência, fazia dois colegiais ao mesmo tempo, apesar de não gostar de nenhum, e ainda inglês e natação. Não aceitava opiniões diferentes das minhas e tampouco refletia sobre soluções alternativas à minha estressada e agitada vida cotidiana. Não admitia crítica alheia. Após essa fase comecei a trabalhar numa multinacional, o que pra mim, com apenas 18 anos, foi o “máximo”. Com isso aflorou minha impulsividade e por causa dela eu “torrava” todo o meu salário e ainda ficava devendo ao banco!

Um ano depois inicie a faculdade de direito já com sintomas e “stress” cada vez mais agudos. Com a ajuda de meus pais consegui me formar, pois os mesmos eram rígidos e “pegavam” no meu pé para gastar menos, terminar a faculdade, agüentar mais um pouco o trabalho e etc. Nestes últimos 10 anos, trabalhei em 3 grandes empresas, porém com mais e mais dificuldades em ser “estável”, entediando-me rapidamente em todas as atividades e responsabilidades. Continuava a gastar todo o meu dinheiro e a ter menos paciência com as pessoas ao meu redor. Perdi promoções, mudanças de cargo e ganhei pontos negativos em minha imagem profissional. Adquiri transtorno de ansiedade e junto, quase 20 Kg a mais, indo do manequim 40 para 46! Acrescente-se aí todo o sentimento autopunitivo e culposo que desenvolvi aliados à baixíssima estima. Perdi o prazer inclusive por minhas paixões: o estudo e a leitura. Tornei-me cada dia mais deprimida.

Passei por uma fase complicada de saúde devido a todo esse quadro, e, um dia, passeando por uma livraria muito conhecida em SP, me chamou a atenção um livro na prateleira, o mesmo falava sobre pessoas distraídas, impulsivas e hiperativas. Pensei: Nossa! Um livro com todas as minhas características! Vou comprá-lo. Quando o li, percebi que poderia enquadrar-me nas características do tema TDAH.

Entrei na Internet e pesquisei o assunto, profissionais da área e etc. Assim encontrei o site da Dra. Cleide e confie em seu conhecimento para me “salvar”, afinal, a mesma é especializada no assunto. Paralelo à terapia comecei a tomar ritalina. Gradualmente trabalhamos minha conscientização de pontos fortes e fracos, autoconhecimento e percepção cognitiva do mundo exterior. Inclusive a superação de mágoas que criei por perceber que, se meus pais soubessem que, desde pequena, eu tinha esse transtorno, tudo poderia ter sido diferente e mais fácil.

Hoje, após 1 ano e meio, digo com certeza que me tornei uma pessoa muito melhor. Superei minha ansiedade crônica e depressão, já consigo controlar minha impaciência, impulsividade e hiperatividade. Já resgatei a maior parte das minhas dívidas. Emagreci tudo o que havia ganhado de peso, o qual servia de proteção emocional. Hoje me amo, sou mais feliz e saudável. Voltei a ter o prazer da leitura e do estudo, bom-humor e, apesar da dificuldade em prestar atenção a determinadas matérias, farei outra faculdade, Filosofia. Isso porque com o auto-conhecimento que tenho hoje, sei que minha verdadeira vocação é a acadêmica, dentro da área filosófica, sociológica e psicológica, sempre em busca do aperfeiçoamento do ser humano. Sempre que leio sobre esses temas, entro em hiperconcentração.

Descobrir ter TDAH e transformar a maior parte das conseqüências ocasionadas pelo transtorno, foi como ganhar medalha de ouro de melhor aluna em auto-superação!

Hoje, com a terapia e a medicação consigo me concentrar melhor, pensar mais antes de agir, controlar minha compulsão, me relaciono melhor com meus pais e as outras pessoas de forma amorosa, flexível e complacente, porém sendo eu mesma, sem me punir, auto-sabotar e fingir o que não sou. Aprendi que não preciso acertar sempre, que sou um ser humano em evolução e transformação.

Hoje, foco em minhas realizações pessoais e profissionais, com alegria, confiança, mais organização e planejamento e muita auto-estima, e, mesmo que tropece ou defronte obstáculos, eu os supero ! Voltei a sentir minha essência e confiança de criança porém com a maturidade e o conhecimento de um adulto!

Agradeço eternamente ao meu marido, à minha família e a Dra. Cleide por todo o apoio, carinho, “pulso firme” e paciência que tiveram comigo, tenho certeza que hoje sou motivo de orgulho a eles!